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A cerimônia


Era noite de festa na Nova Bulgária. Esta seria especial, pois geraria um fenômeno jamais visto em terras neobúlgaras. Pela primeira vez, os cidadãos do protetorado soberano contemplariam um dia, que, ao mesmo tempo, era de sol e de chuva. Era o casamento da Raposa com o Palhaço.

Quando início de noite, um grupo de pessoas já se posicionava ao redor do altar. A Vaca, o Abutre o noivo já estavam posicionados, o sacerdote já vestia sua túnica negra, as luzes já estavam acesas; os últimos preparativos terminados e a lua já estava cheia.

A celebração dependia agora de quem sempre se atrasa e a quem todos queriam ver: a noiva, a Raposa. Seguiu-se um momento de leve tensão. Viu-se, ao longe, um veículo, uma moto. Na garupa, um ser de formosura talvez nunca vista: a raposa, que já estava vestida a caráter e chegava triunfalmente. A população extasiada, batia palmas, gritava, assobiava.

A música começa e noiva encaminha-se, então, para o altar, sob olhares afáveis da população que deseja felicidades infinitas. Sobe as escadas, é recebida por seu noivo, amável. Tem início a celebração, que não só ela, como todos os presentes pareciam esperar, ou sempre ter esperado. Jamais na Nova Bulgária, uma coisa tão linda.

– Raposa, você aceita o Palhaço como seu legítimo esposo? – perguntou a voz grave do sacerdote

– Sim. A resposta veio sem dar qualquer sinal de dúvida

– Palhaço, você aceita a raposa como sua legítima esposa, até que a morte os separe?

– Sim.

Gritos de felicidade. O povo aplaudia, em verdadeiros urros. O que aconteceu depois, talvez nunca se entenda o porquê (talvez na próxima FreePorto). O palhaço vira para a raposa como que para beijá-la, revela seu rosto, até então encoberto por um véu negro. É a face da morte.  Puxa um objeto de sua vestimenta de pingüim, típica dos noivos, movimenta-o contra a Raposa. Era um punhal. A raposa é várias vezes apunhalada no chão do altar. o Palhaço agora ria, como que de orgulho. A população, em estado de choque, assistia a tudo, sentindo estar em um espetáculo de horror.

O rastro do sangue corria pelo meio fio da Rua da Moeda. Ao invés de sol e chuva, uma tempestade de confetes começa a cair, como era costumeiro em tal localidade. O corpo da raposa desaparece por entre a chuva de cores.

No dia seguinte, a população está ansiosa para saber das especulações do Correio da Nova Bulgaria. Afinal, o que terá acontecido à raposa.


O Casamento da Raposa com o Palhaço fez parte do livro vivo, proposto pela FreePorto 2010, em que o Bairro do Recife  se transformou na Nova Bulgária – um estado autônomo governado por escritores e poetas, em uma espécie de oposição à república platônica. Esta foi a penúltima edição do evento, que é uma trilogia, e busca repensar o conceito de festa literária


O que os escritores disseram

Os poetas e escritores que passaram pela FreePorto 2010 contribuiram com frases marcantes sobre a Festa e sobre a literatura. Confira abaixo:

Mário Prata, sobre a FreePorto

“Quando cheguei aqui fiquei surpreso. Nas outras feiras literárias em que ia, geralmente tinha toda aquela história de ser recebido por secretário de cultura. Aqui fui recebido por pessoas muito bem humoradas e quando sentei aqui na frente já saquei qual era a história e  me surpreendi.  É um evento com a cara do Campos de Carvalho… muito louco”

Silvana Menezes, sobre o lançamento de seu primeiro livro, “Vire a Página”

“Foi um processo agoniado, mas que no final me deu muita felicidade, principalmente pelo fato de o lançamento ser aqui na FreePorto. Para mim, este é um evento criativo e interessante. Tinha que ser aqui, em que estão muitos de meus grandes parceiros, que me ajudaram a tirar o livro da gaveta”

Nicolas Behr, sobre Recife e a FreePorto

“Adorei conhecer o Recife. Volto orgulhoso porque me fez um bom efeito. Gosto de escrever sobre cidades e fiquei doido para escrever sobre o Recife, que é uma cidade quase que anfíbia. Para mim, que vivo em Brasília, esse choque de realidade seria um nicho e renderia muita coisa. E foi a FreePorto que proporcionou isso. Em eventos literários, geralmente encontramos outros poetas. Aqui encontramos o leitor. Todo mundo ganha”

Cícero Belmar, sobre a FreePorto

“A literatura tem muitas vertentes. E a picardia e a sátira merecem ter seu espaço, tanto quanto outros gêneros. Aqui transitamos naturalmente com as pessoas que produzem literatura. E isso é que é festa literária. A FreePorto cumpre seu papel”

Cyl Galindo sobre Campos de Carvalho, homenageado da FreePorto

Acho que o Brasil teve dois grandes escritores. Um foi Graciliano Ramos, o outro foi Campos de Carvalho, que era extraordinário. Ele desperta o louco que há em cada um de nós”


Bruna Beber, sobre sua ultima obsessão literária

“Teve uma época em que cismei em reescrever meus poemas de várias formas. Escrevi à mão, usando o computador e até gravei. Acredito que isto me fez observar novas relações”

Bruna Beber, sobre a FreePorto

“Nunca fui a uma festa literária tão criativa nem fui tão bem recebida como aqui na FreePorto.”

Raimundo de Morais, sobre o preconceito em relação aos homossexuais e à literatura homoerótica

“São três mil anos de repressão, tendo base na bíblia. Mas, com o trabalho de construção do Universo em expansão, vocês acham que Deus vai se preocupar com o cu de cada um?”

Marcelino Freire, sobre Balé Ralé, dialogando com Raimundo de Morais

“Escrevo sobre dor. E dor não tem sexo.”

Martín Palacio Gamboa, sobre a FreePorto

Podría dar una larga conversación de lo que implicó la fiesta de la FreePorto, organizada por la (no tan) santa trinidad Wellington de Melo, Artur Rogério y Bruno Piffardini, allá por el barrio más antiguo de Recife, una intersección del planeta que bien podría cruzarse con el San Telmo de Buenos Aires y el Barrio Sur montevideano. Estos tres verdaderos caballeros de las letras, con algo de Monty Python y cierta cosa desacralizante que, por momentos, me remite a la movida de los viejos y queridos dadaístas, supieron generar un quiebre en la gelidez inútilmente pomposa de los encuentros de escritores. Sin perder la altura ni el salto cuántico de sus apuestas, promovieron verdaderos diálogos entre autores y público, así como relecturas sobre los outsiders de la historia -con h minúscula, por favor- de las letras nordestinas y que encierran, aun en la actualidad, la probabilidad de largar el canon por la borda.

 


A FreePorto 2010 inova o conceito de Festa Literária

Publicado na Revista Algo Mais, dia 18 de nov. de 2010.

Entre os dias 03 e 05 de dezembro, o Bairro do Recife Antigo irá se transformar em um estado autônomo, e imaginário, chamado A República da Nova Bulgária. A FreePorto chega com o objetivo de discutir e refletir o conceito tradicional de festa literária, promovendo uma maior interação do público leitor com a literatura e os escritores. Em sua segunda edição, a proposta é transformar o Recife Antigo em um grande livro vivo.

O bairro será o palco da Nova Bulgária, que constitui um universo fictício, com governo próprio, em que os escritores poderão ser “donos da rua”. A história já começou a ser traçada. Escritores como Ivan Moraes Filho, Moisés Neto, Marcelinho Freire e Sidney Rocha já adquiriram suas terras na Nova Bulgária (que são, na verdade, ruas do Recife Antigo), e serão empossados durante o evento. Cada escritor pode criar as próprias leis dentro da província, e o público leitor poderá participar de uma grande narrativa sobre o casamento da raposa com o rouxinol. 

Promovida pelo grupo Urros Masculinos, a grande proposta do evento é transformar a FreePorto não em uma festa literária tradicional, mas, sim, em uma grande narrativa ao ar livre. Durante a programação, haverá conferências com nomes da literatura pernambucana e nacional, além da presença de escritores como o poeta uruguaio Martín Palácio Gamboa, Mario Prata, Ronaldo Correia de Brito, Nicolas Behr, Bruna Beber, Allan Salles, Aymmar Rodriguéz e Marcelino Freire, além dos representantes da nova geração pernambucana de escritores. 

Este ano, os homenageados da FreePorto são os escritores Lucila Nogueira, Silvana Menezes e Campos de Carvalho. Cada dia do evento é baseado, respectivamente, a partir das obras de cada escritor homenageado. Além disso, fazem parte da programação deste ano apresentações musicais, sessões de leitura, conversas, lançamentos de livros, entrega do 1º Prêmio Pierre Menard de Cover Literário (para quem fizer o melhor texto cover de autor favorito), entre os eventos que acontecerão no decorrer dos três dias.  

O FreePorto irá acontecer, principalmente, na Rua da Moeda e no Espaço Corpos Percussivos.
PROGRAMAÇÃO

No primeiro dia da FreePorto, o escritor e músico uruguaio, Martín Palácio Gamboa irá realizar uma apresentação musical, a partir das 20h, no Espaço Corpos Percussivos. Já a partir das 22h, os escritores pernambucanos Artur Rogério, Wellington de Melo e Bruno Piffardini irão comandar a posse dos senadores da Nova Gulgária, na Rua da Moeda, com participação do músico Allan Sales, que irá interpretar o hino neobulgáro. 

No sábado, dia 04, está previsto um passeio turístico de ônibus, com intervenções literárias, pelas províncias da Nova Bulgária, a partir das 14h, com saída na Rua da Moeda. Já às 14h, duplas de escritores como Allan Sales e Mariane Bigio, Malungo e Isabella Marques, Pedro Américo de Farias e Flô, além de Raísa Feitora e André de Senna, irão se apresentar na Rua da Moeda. O público ainda terá a oportunidade de sabatinar, sem a presença de um mediador, o escritor pernambucano Marcelino Freire. 

Para fechar o penúltimo evento da FreePorto, a partir das 18h, na Rua da Moeda, os músicos pernambucanos João Menelau, Kiko de Carnavale e Zé Manoel interpretarão O Casamento da Raposa na Nova Bulgária. Logo após, a público poderá curtir o show das bandas Sabiá Sensível e Rivotrill.

Para saber mais sobre a programação e as novidades da FreePorto 2010, acesse o site http://www.freeporto.wordpress.com

Link original: http://www.revistaalgomais.com.br/pdf/a_freeporto_2010_inova_o_conceito_de_festa_literaria.pdf


FreePorto privilegia participação do leitor

 Publicado na Folha de Pernambuco

Entre os próximos dias 3 e 5, o Bairro do Recife vai se transformar em um mundo imaginário: a República da Nova Bulgária, povoada por escritores e artistas participantes da FreePorto 2010. O evento, que surgiu com a proposta de subverter o conceito de festa literária, propõe, em sua segunda versão, a construção de uma narrativa viva, com ampla participação do público leitor. Em coletiva de imprensa, ontem, o grupo Urros Masculinos divulgou a programação completa do evento, com destaque para a participação do escritor Mario Prata e o uruguaio Martín Palacio Gamboa.

A história da Nova Bulgária já começou a ser escrita, com a aquisição de lotes de terra (na verdade, diferentes espaços do Bairro do Recife) por escritores, como Ronaldo Correia de Brito, Sidney Rocha, Cida Pedrosa, que serão devidamente empossados durante a festa. Os encontros desta edição, realizados principalmente na rua da Moeda e no Espaço Corpos Percussivos, fazem alusão aos homenageados do evento: escritores Lucila Nogueira, Silvana Menezes e Campos de Carvalho.

Lançando-se como um livro vivo, a FreePorto concede espaço privilegiado ao leitor, a contar com a abertura da festa a cargo do pernambucano Daniel Xavier. Na condição de leitor, ele conversará sobre Campos de Carvalho com os escritores Marcelino Freire e Mario Prata. Em outra atividade, o público, sem a presença de mediador, sabatina Marcelino Freire.

Está previsto ainda um passeio em ônibus, com intervenções literárias, com destino às províncias da Nova Bulgária. A programação conta com apresentação de duplas de escritores, como Pedro Américo de Farias e Flô, além de Jomard Muniz de Britto e o poeta mato-grossense, radicado em Brasília, Nicolas Behr, autor de “Braxília revisitada” e “Laranja Seleta”. Behr participa ainda de uma conversa com a escritora carioca Bruna Beber. Gerusa Leal, Cícero Belmar, Lúcia Moura, Fernando Farias e Raimundo de Moraes se unem na leitura de contos. Algo que também norteará o encontro do critíco Cristhiano Aguiar com o autor premiado Ronaldo Correia de Brito. A programação inclui a participação do escritor cearense Everardo Norões, que vai contemplar sua produção poética. Lançamentos de livros também marcarão a festa, caso de Silvana Menezes, que vai autografar seu primeiro livro publicado, “Vire a página”, e Cristhiano Aguiar, que assina “Os Justos”. Estão previstas também apresentações musicais. A programação completa está disponível no endereço http://free porto. word press.com

 Link original: http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-programa/603900?task=view


Inundada! Festa durante a FreePorto!


Programação FreePorto 2010

PROGRAMAÇÃO FREEPORTO 2010

SEXTA-FEIRA – 03 DE DEZEMBRO DE 2010 – ATO I – REPARTIR O PÃO – LUCILA NOGUEIRA

Falarão meus poemas pelas ruas

O escritor pernambucano Roberto Queiroz comanda um recital com seus convidados, a partir das 18h, no Bar Burburinho.

Cigana sim, faca na cintura

O escritor e músico uruguaio Martín Palacio Gamboa faz uma apresentação musical, a partir das 20h, no Espaço Corpos Percussivos.

Mas não demores tanto

O escritor e artista plástico amazonense Pedro Rodrigues lê textos de sua autoria e entrega o 1º Prêmio Pierre Menard de Cover Literário, a partir das 20h30, no Espaço Corpos Percussivos.

E então seremos pedra solitária

O leitor pernambucano Daniel Xavier abre a FreePorto numa conversa sobre Campos de Carvalho com o escritor pernambucano Marcelino Freire e o escritor mineiro Mario Prata, a partir das 21h, no Espaço Corpos Percussivos.

Mudaram só os nomes dos tiranos

O escritores pernambucanos Artur Rogério, Wellington de Melo e o escritor paulista Bruno Piffardini comandam a posse dos senadores da Nova Bulgária, a partir das 22h, na Rua da Moeda. Participação especial do músico e escritor cearense Allan Sales, interpretando o hino neobúlgaro.

A fada chora anunciando a morte

As bandas pernambucanas Gandharva e Voyeur apresentam-se, a partir das 23h, na Rua da Moeda.

O escritor pernambucano Wellington de Melo, acompanhado pelo músico pernambucano Jorge Martins e pelo grupo de maracatu Corpos Percussivos, realiza leitura de poemas do seu livro O peso do medo, 30 poemas em fúria, a partir das 0h, na Rua da Moeda.

SÁBADO – 04 DE DEZEMBRO DE 2010 – ATO II – CELEBRAR A CARNE – SILVANA MENEZES

No Paço Alfândega tudo é vazio

Passeio em ônibus turístico com intervenções literárias pela Nova Bulgária (Bairro do Recife), a partir das 14h, saída da Rua da Moeda.

Pouco lhes importa se eu sei abrir uma porta

A banda Enxaqueca toca a Swingueira da Noiva, com belas canções inspiradas em poemas famosos, a partir das 15h, na Rua da Moeda.

Diz a Tim que depois eu conto tim tim por tim tim

Duplas de escritores se apresentam, a partir das 16h, na Rua da Moeda.

Allan Salles e Mariane Bigio

Malungo e Isabella Marques

Pedro Américo de Farias e Flô

Raísa Feitosa e André de Senna

Não quero mais saber de escrever poemas

O professor pernambucano Alexandre Furtado apresenta a professora pernambucana Renata Pimentel, que medeia um bate-papo com o escritor mato-grossense Nicolas Behr e a escritora carioca Bruna Beber, a partir das 17h, no Café Cultural Fafire – Especial FreePorto, na Rua da Moeda.

Quando soltaram os cachorros loucos era noite

Duplas de escritores se apresentam, a partir das 18h, na Rua da Moeda.

Renata Santana e Vitoria Fulô

Ícaro Tenório e Vertim Moura

Júlia Larré e Bruna Beber

Jomard Muniz de Britto e Nicolas Behr

O Cineclube AZouganda, da Universidade de Pernambuco, exibe filmes, a partir das 18h, no Espaço Corpos Percussivos.

Vi Dom Helder comendo docinhos

A equipe de produção da FreePorto se alimenta e descansa um pouco porque também é filha de Deus, a partir das  19h, onde eles quiserem.

Quero escrever meus versos em teu corpo nu

Os escritores pernambucanos Johnny Martins, Delmo Montenegro e Raimundo de Moraes conversam sobre poesia homoerótica, a partir das 19h45, no Espaço Corpos Percussivos.

À noite sonho com todos os poetas na farra

O público entrevista o escritor pernambucano Marcelino Freire, a partir das 20h30, no Espaço Corpos Percussivos.

Quantas?

O grupo literário Vozes Femininas, formado pelas escritoras pernambucanas Mariane Bigio e Susana Morais e pela escritora paraibana Silvana Menezes, se apresenta, a partir das 21h30, na Rua da Moeda.

Hoje eu vou sair

A escritora paraibana Silvana Menezes autografa seu primeiro livro publicado, Vire a página, a partir das 22h, na Rua da Moeda.

Debruçada diante do papel em branco

A companhia teatral Cia Duvidosa apresenta o espetáculo Esta propriedade está condenada, dirigido por Sidmar Giannette, texto de Tennessee Williams, com os atores Lorena Cronemberger e Samuel Bennaton no elenco, a partir das 22h30, na Rua da Moeda.

Inundada!

Festa de Despedida de Solteiro com o DJ Mr. Kaya, a partir das 23h, no Bar Burburinho.

Entrada: R$ 5,00

Venda antecipada no local

DOMINGO – 05 DE DEZEMBRO DE 2010 – ATO III – BEBER O VINHO – CAMPOS DE CARVALHO

Nenhum candidato a voluntário

O grupo literário Autoajuda literária, formado pelos escritores pernambucanos Gerusa Leal, Cícero Belmar, Lúcia Moura, Fernando Farias e Raimundo de Moraes, realiza leitura de contos, a partir das 14h, no Espaço Corpos Percussivos.

MSPDIDRBOPMDB

O escritor cearense Ronaldo Correia de Brito e o escritor paraibano Cristhiano Aguiar leem contos, a partir das 14h50, no Espaço Corpos Percussivos.

O senhor já foi à Bulgária?

O escritor pernambucano Wellington de Melo ouve com o público o escritor cearense Everardo Norões falar sobre poesia e ler seus poemas, a partir das 15h30, no Espaço Corpos Percussivos.

Capítulo sem sexo

O escritor paulista Bruno Piffardini conversa com o escritor mineiro Mario Prata, a partir das 16h, no Espaço Corpos Percussivos.

Mandei-o tomar no Ó e não no Zero.

Os escritores pernambucanos Artur Rogério e Martides Silva se apresentam, a partir das 17h, na Rua da Moeda.

Foi no tempo em que os bichos falavam

O escritor pernambucano Aymmar Rodriguéz comanda um recital profano ao deus Pintão e a PPP – Procissão Profana de Poesia, que, acompanhada do Maracatu Fio Terra, sai, a partir das 17h, da Explatônia (conhecido como Marco Zero) em direção à Rua da Moeda.

Até página antiga resolveu aterrissar aqui

Cerimônia d’O casamento da Raposa, a partir das 18h, na Rua da Moeda.

Os músicos pernambucanos João Menelau, Kiko de Carnavale e Zé Manoel interpretam a canção O casamento da raposa na Nova Bulgária.

Saí pra matar o tempo e matei-o

Show com as bandas Sabiá Sensível e Rivotrill, a partir das 19h, na Rua da Moeda.

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Durante toda a FreePorto

Tempo. Exposição de trabalhos do fotógrafo pernambucano Felipe Ferreira, edição de Fred Jordão, no Bar Burburinho.

Церемония (Tseremoniya). Exposição de painéis do artista plástico pernambucano Raoni Assis, no Espaço Corpos Percussivos.

Jantar com as estrelas. Degustação de pratos de cardápio homenageando escritores participantes da FreePorto, no Bar Burburinho.

O Poder cai na gandaia! Durante os três dias, toda a cúpula do governo da Nova Bulgária congraçará com os cidadãos, batendo fotos e distribuindo autógrafos na Rua da Moeda e na Rua Tomazina.

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Out-Fest – Programação Paralela

Agora a FreePorto também tem sua programação paralela, como toda boa festa literária, promovida com a colaboração do Supremo Ministério da Cultura e Habitação da Nova Bulgária.

Confira nossa esfuziante programação, que acontece sempre no Polo Cruz do Patrão, local aprazível e de acessibilidade estonteante.

04 de dezembro

  1. 1. A dialética negativa de Adorno sob uma perspectiva marxista na obra de João do Morro: intersecções. Palestrante: Nicolai Gagarin, PhD. A partir das 2h (manhã), no Polo Cruz do Patrão. Vagas limitadas.
  2. 2. Um novo olhar sobre a poesia impopular neobúlgara enquanto manifestação incorpórea dos vassalos Rosália Rolha de Poço, Luizinho Mora na Lua e Zeca Cara de Barraca. Palestrante: Ermetildes Zolari, bibliotecária. A partir das 4h (manhã), no Polo Cruz do Patrão. Vagas limitadas.

05 de dezembro

  1. 3. A fenomenologia concreta de Alexandre Kojève na obra de Octavio Paz: um itinerário duvidoso. Palestrante: Artur Lins, Margrave do Bom Jesus. A partir das 2h (manhã), no Polo Cruz do Patrão. Vagas limitadas.
  2. 4. Idiossincrasia e contrassensos entre estética e ideologia na nova poética búlgara – uma análise pós-Althusseriana. Palestrante: Bruno Piffardini, Arconte-Litigador. A partir das 4h (manhã), no Polo Cruz do Patrão. Vagas limitadas.

Reservas antecipadas: freeportofestaliteraria@gmail.com


Você já foi à Nova Bulgária?

Veja em tamanho grande clicando aqui.


Carta de intenções da Jacutinga-mor Gerusa Leal

Prezados membros do Triunvirato da Nova Bulgária.

Por entender estar altamente capacitada a se ocupar de arranjar e rearranjar continuamente os paralelepípedos do calçamento da Província, de forma a que se mantenha sempre e nunca o mesmo, e que só a Jacutinga-mor, essa avis-rara galiforme da nobre família dos cracidae poderia estampar o brasão da Província e inspirar seu governante a cumprir com denodo essa vital e ciscativa função. A requerente compromete-se a colocar a serviço da Província toda sua experiência em ócio adquirida em anos de serviço como assistente do Grão-Vizir responsável pelo azeitamento do eixo do Sol, e outros tantos como chefe da equipe de enxugamento de gelo na República dos Pinguins de Geladeira.

Gerusa Leal,

Jacutinga-mor de Tétris, Protetorado Soberano da Nova Bulgária


Nova Bulgária, Anno Zero

Por Bruno Piffardini

PROTETORADO SOBERANO DA NOVA BULGÁRIA

Gabinete do Excelso Triunvirato

Através deste documento oficial, lavrado sob as devidas observâncias da Egrégia e Augusta Constituição do Supremo Protetorado da Nova Bulgária e respeitando os Termos de Direito de Posse e Escambo de Terras e Territórios deste mesmo Corpo de Leis, o Triunvirato que compõe o Governo Provisório desta poderosa nação DECLARA e TORNA PÚBLICO (não necessariamente nessa mesma ordem, vis. Art. 2764, $1) o LOTEAMENTO DO TERRITÓRIO Neobúlgaro, com finalidade de facilitar a administração da República, e a eventual distribuição dos Títulos Nobiliárquicos e Administrativos, por meio de escambo legal, sob o júdice da Federação de Comércio Neobúlgara, a Ordem dos Advogados da Nova Bulgária e a Comissão Para o Bem das Divindades Agrárias e Relativas à Fertilidade da Igreja Vulpina Heterodoxa Reformada.

1. Do Território e suas Províncias

O território loteado para fins administrativos engloba TODO o terreno oficial do Protetorado Soberano da Nova Bulgária, conforme declarado na Convenção de Independência de 25 de maio de 2010 e que consiste no território anteriormente denominado “Ilha do Recife”, não ultrapassando as pontes que a ligam ao Continente; e também o Território Ultramarino anexado posteriormente, que consiste na região outrora denominada “Parque das Esculturas”.

Assim, fica dividido o território Neobúlgaro em catorze (14) províncias, sendo uma (1) província de ultramar e uma (1) província central administrativa, NÃO disponível para venda. Os territórios são os que seguem – a numeração remete ao mapa em anexo:

1 –  Alto e Baixo Gume;

2 –  Principado do Silo;

3 –  Pulsobrilho;

4 –  Meia de Seda;

5 –  Hazar-Sual;

6 –  Explatônia;

7 –  Enclave Ultramarina do Cachimbo;

8 –  Tetris;

9 –  Pucarina;

10 –  Zona do Aço;

11 –  Biscoito Fino;

12 – O Cabo;

13 –  Ramalhete.

Estarão disponíveis à venda cada uma dessas províncias a um Nobre, sendo que cada província poderá compreender até cinco (5) cargos administrativos, comprados separadamente. Os Títulos e Cargos serão especificados a seguir.

2- dos Títulos Nobiliárquicos e Cargos Administrativos das Províncias

O Excelso e Glorioso Triunvirato disponibiliza Títulos de Nobreza aos cidadãos que obtiverem os direitos sobre as Províncias. Estes cidadãos serão reconhecidos por esses títulos, além do pré-definido estatuto de “Governador”.Estes títulos poderão ser selecionados da seguinte lista, sendo vetado que dois indivíduos tenham o mesmo título:

a) Mestra-Abadessa (ou Mestre-Abade);

b) Grão-Vizir (ou Grã-Vizir);

c) Generalíssima Senhora da Guerra (ou Generalíssimo Senhor da Guerra);

d) Jacutinga-Mor;

e) Pontífice Máximo;

f) Admirável Vice-Rei (ou Admirável vice-Rainha);

g) Barão-Administrador (ou Baronesa Administradora);

h) Lorde Protetor (ou Dama Protetora);

i) Alto Búfalo Aquático (ou Alta Búfala Aquática);

j) Guardiã-das-Chaves (ou Guardião das Chaves);

l) Antipapa (ou Antipapisa);

m) Venerável Grão-Mestre (ou Venerável Grã-Mestra);

n) Autocrator (ou Autocratriz).

o) Camarada

É importante lembrar que apenas UM (1) Título será vendido a cada indivíduo que, por medidas de segurança, só poderão tomar a posse de UMA (1) Província, afim de evitar uma concentração de terras e poder que acarretaria em uma centralização que não aquela do Triunvirato, único poder central instituído pela vontade do povo e de Força Divina Superior.

Para auxiliar na administração de sua nova província, o Nobre Governador poderá contar com até cinco (5) Vassalos-Administradores em seu território. Esses vassalos-administradores poderão comprar um cargo da lista de cargos e selecionar uma das ruas do território escolhido para ser sua sede de atuação. Para evitar o acúmulo de cargos, este cidadão poderá adquirir até três (3) cargos administrativos, contanto que diferentes entre si e em províncias distintas.

Os títulos de Vassalos-Administradores podem ser escolhidos indiscriminadamente desta lista:

a) Arconte (ou Arcontesa);

b) Senescal;

c) Castelão (ou Castelã);

d) Lorde (ou Lady) Camarista;

e) Margrave;

f) Marechal (ou Marechala);

g) Tribuno (ou Tribuna);

h) Questor (ou Questora);

i) Capelão (ou Capelã);

j)Comissário (ou Comissária).

3 – Da Aquisição. Deveres e Direitos.

Os títulos e propriedades têm valores mínimos definidos, sendo R$ 20 (vinte reais) o mínimo pela posse de Província e título de Nobreza e Governadoria e R$ 2 (dois reais) pelo cargo de vassalagem-administrativa. Lembrando que:

a)     um nobre-governador só tem direito a adquirir uma (1) Província;

b)     uma Província só pode ter um (1) Nobre-Governador;

c)     uma Província pode ter até cinco (5) vassalos-administradores;

d)     um vassalo pode ter até três (3) cargos, desde que em Províncias distintas;

e)     em caso da posse de mais de um cargo, o vassalo deverá ter cargos diferentes um do outro.

f)      não é permitida a revenda ou grilagem das terras da Nova Bulgária. Em caso de desistência ou morte súbita, as terras são confiscadas pela administração do Protetorado.

g)     os valores indicados acima são simbólicos. Aqueles que quiserem colaborar com um valor maior podem fazê-lo, embora lembremos que isso não implicará na compra de mais províncias ou ruas.

Para solicitar os Títulos e Províncias, é preciso selecioná-las das listas disponíveis no site e que serão atualizadas de acordo com sua disponibilidade. O mesmo se dá com os cargos administrativos. O interessado então encaminhará uma Carta de Intenções ao e-mail novabulgaria@gmail.com , contendo:

1-) Nome Completo;

2-) Endereço virtual ou real para contatos;

3-) Em caso de governadoria, indicar a Província e o Título interessados;

4-) Em caso de cargo administrativo, indicar o(s) cargo(s) e a(s) Província(s) de atuação;

5-) Escrever uma carta de intenção de cinco (5) linhas, dizendo porque você postula essa função;

6-) Responda à pergunta: “Qual é a única Festa Literária do mundo conhecido que te dá terras, títulos e poder político e militar?”

Ao ser efetivado, você receberá as instruções de como proceder ao pagamento.

Todos aqueles que adquirirem terras e cargos receberão uma série de itens exclusivos:

a)     Certificado de Cidadania assinado pelo Triunvirato, contendo seu título e cargo;

b)     Carta de doação de Província, atestada e certificada;

c)     Um exclusivo avatar cheio de firulas para você usar no MSN, Facebook, Orkut, Twitter e whatever (sob solicitação);

d)     A cartilha do estatuto do cidadão Neobúlgaro, contendo todos os seus direitos e deveres;

e)     Inclusão de seu nome e títulos honoríficos no site da FreePorto;

f)      Acesso a conteúdo exclusivo da FreePorto;

g)     Direito a assumir uma cadeira no exclusivo e super deluxe SENADO NEOBÚLGARO.

Advertimos que ocupar esses cargos não dá qualquer vantagem ao honorável membro da elite neobúlgara durante a FreePorto, como assentos marcados, passaportes da alegria ou coquetéis grátis.

Em caso de dúvidas, entre em contato com a Ouvidoria do Depto. de Comunicação Verbal e Extra-Sensorial do Governo da Nova Bulgária através do e-mail novabulgaria@gmail.com.

Atestam e dão fé a este documento,

OS AUGUSTOS REGENTES E PROTETORES DO PROTETORADO SOBERANO DA NOVA BULGÁRIA


Febre búlgara

Eleição no Brasil provoca “febre Dilma” na Bulgária

Mídia local fala da possibilidade de “búlgara presidir a 7ª economia do mundo”

“Tento explicar para os jornalistas que ela não é búlgara”, afirma Paulo Américo Wolowski, embaixador do Brasil

VAGUINALDO MARINHEIRO ENVIADO ESPECIAL A SÓFIA

Bulgária vive uma “febre Dilma”. Jornais, revistas e televisões acompanham o dia a dia da campanha no Brasil, e muitos jornalistas já estão de malas prontas para cobrir in loco a possível eleição de uma “búlgara para presidir a sétima maior economia do mundo”.

Se o Quênia festejou a vitória de Barack Obama, que tem pai queniano, a Bulgária quer festejar a de Dilma, que tem pai búlgaro.

Somos um país muito pequeno, e a possibilidade de alguém que teve um pai búlgaro ocupar um cargo tão importante nos deixa emocionados”, afirma Jorge Nalbantov, apresentador da TV7, que viajará ao Brasil para fazer a cobertura da eleição presidencial.

A Bulgária tem cerca de 7,5 milhões de habitantes, população que vem caindo devido à migração e à baixa taxa de natalidade (1,4 filho por mulher, em média). Há dez anos, eram 8,1 milhões de habitantes.
Dilma é descrita pelos meios de comunicação como “dama de ferro”, “Margaret Thatcher brasileira” e “toda-poderosa do governo Lula”.
Algumas vezes foi chamada erroneamente de “primeira-ministra do Brasil”.
Certas reportagens citam sua participação em grupos da luta armada e no roubo, em julho de 1969, do “cofre do Adhemar”, que teria pertencido ao ex-governador de São Paulo e que era guardado no Rio. Essa operação foi organizada pela VAR-Palmares, na qual a ex-ministra militou, mas ela nega ter participado do roubo.

Na última quinta-feira, um dos principais jornais de Sófia, o “Trud” (algo como o trabalhador), dedicou duas páginas inteiras à ex-ministra e suas raízes búlgaras.

ABRAÇOS À BULGÁRIA

No sábado, o mesmo jornal trouxe mais uma grande reportagem com o título: “Dilma Rousseff: Quero Mandar Abraços para a Bulgária”. Era baseada numa resposta dada pela candidata após entrevista no SBT.

Segundo o “Trud”, Dilma disse que ir à Bulgária é uma de suas prioridades e que desejava mandar uma abraço a todos os búlgaros.

Alguns jornais e programas de televisão dizem que ela é búlgara, apesar de a candidata nunca ter ido ao país e de não falar búlgaro.

Já foram publicados títulos como: “Uma búlgara pode ser presidente do Brasil”.

“Eu tento explicar para os jornalistas que ela não é búlgara, assim como não sou polonês”, afirma Paulo Américo Wolowski, embaixador do Brasil em Sófia e que viu explodir o interesse da mídia local pelo Brasil.

EM BUSCA DE HERÓIS

Para Rumen Stoyanov, professor de literatura da Universidade de Sófia, a Bulgária sente falta de figuras ilustres.

“Nós precisamos de heróis. Somos um povo pequeno, que está diminuindo porque o búlgaro não quer ter filho. Por isso, é importante que ressaltemos o exemplo de alguém com sangue búlgaro com destaque fora do país”, afirma Stoyanov.

Dilma não é a primeira “semi-búlgara” a ser festejada na Bulgária. Entre os heróis nacionais está John Vincent Atanasoff, considerado o inventor do computador digital. Ele nasceu e viveu a vida toda nos EUA. Mas tinha, claro, um pai búlgaro.

Extraído da Folha de S. Paulo


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