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Matéria no Diario de Pernambuco

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Matéria no Diario de Pernambuco

De novo Pierre Menard

Por Thiago Correa

Talvez a obra que melhor problematize a questão da cópia como método de criação seja o conto Pierre Menard, autor do Quixote do escritor argentino Jorge Luis Borges. A história aborda o caso de um escritor fictício que tinha como projeto de vida escrever, palavra a palavra, o Dom Quixote. Presente no livro Ficções (1944), até hoje o caso é usado como exemplo para discutir as relações entre a obra e o mundo, nos colocando a pergunta: a obra de Cervantes que lemos hoje é a mesma que foi criada no século 17?

Pegando carona nisso, a FreePorto lançou este ano o 1º Prêmio Nacional Pierre Menard de Cover Literário. Com inscrições abertas até 15 de outubro, o concurso vai premiar os três primeiros colocados nas categorias “conto” e “poesia”. Os vencedores serão eleitos com base em cinco critérios: “adequação aos padrões estéticos e formais de outrem; apropriação da dicção literária alheia; mimetização estilística de quaisquer recursos já existentes; total falta de originalidade e total falta de simancol e vergonha na cara”.

“É um exercício estético válido. Fazer uma cópia exige afinidade com a obra, você precisa apreender a dicção do autor, é um trabalho para profissionais”, defende o poeta e organizador do evento Wellington de Melo. Além de ressaltar a dificuldade de se elaborar um bom plágio, ele também considera que a cópia tem um papel importante na literatura. “Isso ressignifica a literatura, não é uma tiração de onda. A cópia propõe novas discussões”, aponta.

Mas como nada é inocente quando se trata de uma ação promovida pela FreePorto, Melo revela que o prêmio foi criado em cima de duas provocações. A primeira é uma brincadeira em torno do mercado de prêmios literários. “Não sei até que ponto esses valores dados a um escritor incentivam a leitura”, coloca. “A outra brincadeira diz respeito ao ego dos escritores, essa é uma classe muito apegada a originalidade, então resolvemos criar um prêmio para anular a originalidade”, completa. (TC)

 


Até em Cuba lançamos moda

O jornalista Thiago Soares, da Folha de Pernambuco, esteve de viagem a Cuba para cobrir o Festival del Caribe, que homenageava, vejam só, Pernambuco. Caminhando pelas ruas de Santiago de Cuba, depois de uns três mojitos e umas quatro piñas coladas, não é que o rapaz encontrou um cubanito com uma camisa da FreePorto? Diriam que foi o álcool, mas Thiago Soares fez questão de registrar o achado com a foto que se segue.

Segundo a versão oficial de Alexander González, que vem a ser o dito cujo que conseguiu no mercado negro cubano o artefato de algodão, “Foi uma tia minha que foi para Recife e me deu. Ela adorou lá”. Fica a dúvida: adorou o Recife ou a FreePorto? Dúvida cruel.

Fôssemos outros, nos limitaríamos a divulgar uma nota como “FreePorto chega a Cuba” ou “FreePorto alça seu primeiro voo internacional” e atolaríamos todas as colunas sociais do Brasil. Mas a verdade é que tememos pelo destino de Alexander a partir da divulgação desta foto.  O jovem corre um risco imenso ao desfilar com a camisa, principalmente que o pessoal lá em Cuba é meio armorial e odeia inglês. Que fazer se o neologismo FreePorto também é um empréstimo lexical? O pessoal de lá não entende esses lances modernosos de variação linguística, feito uma galera daqui também, aliás.

Estejamos atentos aos próximos capítulos desta novela: não deixemos que tirem a camisa de Alexander ou que deem de presente uma mais legal. Merecia até uma campanha: Let Alexander Free. Gostamos das aliterações  e merecia até uma camisa. Digo mais: descubramos que foi essa tia que não quis mais a camisa da FreePorto e deu de presente pro sobrinho. Que desfeita!

Link original: http://www.folhape.com.br/index.php/agito-coluna/579793-agito-15072010


Nota do Diario de Pernambuco

Publicado no dia 10 de julho de 2010.

Coluna Lançamentos/Livros

Em mais uma amostra da criatividade irônica da FreePorto, a festa criou o Prêmio Nacional Pierre Menard de Cover Literário. Com as inscrições abertas até 15 de outubro, os interessados devem enviar contos e poemas que atendam aos critérios de seleção: “apropriação da dicção literária alheia; total falta de originalidade; total falta de simancol e vergonha na cara”. O regulamento está no endereço: freeporto.wordpress.com

Link original: http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/07/10/viver2_0.asp


FreePorto celebra literatura com muita irreverência

Publicada no Diario de Pernambuco, dia 09 de novembro de 2009.

Por Nina Wicks de Almeida

Evento no bairro do Recife propôs liberdade total aos escritores e leitores, com oficinas nada convencionais e shows

Revelado no fenônemo dos blogs, escritor Santiago Nazariam leu conto inédito e revelou que se dedica a um novo livro. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press

Enquanto a quinta edição da FliPorto acontecia no balneário de Porto de Galinhas, as ruas esburacadas do Recife Antigo abrigaram, durante o fim de semana, o que se pode chamar de acontecimento genérico. Em sua primeira edição degustativa, a FreePorto quis celebrar a liberdade. Sem muita burocracia, e com bom humor, escritores e leitores deveriam, durante os três dias de festa, trocar idéias e vivenciar a literatura como bem quisessem, com direito a exaltações poéticas manifestadas a qualquer momento. O local escolhido foi o espaço Corpos Percussivos, no primeiro andar de um prédio da rua da Moeda. Intimista, a sala com sofá vermelho e cadeiras espalhadas contava com um bar no térreo, o que facilitava o clima de festa. “Festa é assim mesmo, informal, onde as pessoas discutem literatura como se estivessem nos bastidores”, celebrava Wellington de Melo, integrante do coletivo Urros Masculinos, idealizador do projeto. No lugar da galinha, o mascote era uma raposa, presente em quase todos os acontecimentos. No lugar de João Cabral de Melo Neto, as homenagens eram irecionadas ao poeta acreano J. G. de Araújo Jorge. Na noite de abertura, o primeiro sofá literário discutia a Receita de Bolo de Rolo: Como Fazer uma Festa Literária, com Marcelino Freire, Urros Masculinos e Cida Pedrosa, com mediação de Cristiano Ramos. E como fazer? Segundo Marcelino, “fazendo!” Para os participantes, entre uma cerveja e outra, é de undamental importância a existência dos movimentos conservadores para que se entenda um movimento anárquico como o que nascia ali. Revelado no fenônemo dos blogs, escritor Santiago Nazariam leu conto inédito e revelou que se dedica a um novo livro.
Enquanto eram servidas fatias de bolo-de-rolo para os presentes, o poeta Miró interrompia a cerimônia para declamar obras suas, incentivado pela organização e pelo público, enquanto Jomard Muniz de Britto jogava apitos para a plateia. “O melhor é que aqui não vemos só as caras repetidas de todo evento literário”, soltou o mediador. A noite seguiu com a inauguração da Pedra Fundamental da Nova Literatura Pernambucana, uma pedra de gelo colocada no meio da rua, para ser “eterna enquanto dure”, recitais de obras da sacada do espaço e da apresentação no meio da rua das bandas Semente de Vulcão e Johnny Hooker e Candeias Rock City. Como todo bom evento literário, a FreePorto também teve suas oficinas, como a Geração 51, onde o poeta Valmir Jordão ensinou como fazer uma caipirinha e Pedro Américo de Farias ensinando Estilos de Época na Amarração de Cadarço. Na tarde do sábado, o escritor Santiago Nazarian, revelado no fenômeno dos blogs, sentou com Cristhiano Aguiar para ler um conto inédito e responder perguntas. Ele agora se dedica a um livro de contos “porque é bom para o escritor renovar”, afirmava Nazarian, que já publicou cinco romances. Descendo as escadas do espaço, um tapete vermelho de cinco metros era o corredor para o lançamento de livros, neste caso, literalmente. Escritores como Lucila Nogueira, Marcelino Freire, Biagio e Sidney Rocha arremessavam seus livros o mais longe que conseguiam.

Link original: http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/11/09/viver2_0.asp


Do Portal Literal

Por Felipe Pontes (RJ)

Um pouco de auto-crítica no Portal Literal – faltou mencionar no post sobre a Fliporto 2009 os preços cobrados pelos ingressos das palestras da festa: cada palestra (R$ 5,00); diária (R$ 15,00) e passaporte completo (R$ 50,00, que contempla toda a programação literária do evento).

O destaque, agora, não é uma tentativa leviana de criticar a cobrança de entradas, prática corriqueira na maioria das feiras, festas e bienais pelo Brasil afora. A questão é que, em Recife, o grupo literário Urros Masculinos oportunamente aproveitou o ensejo da Fliporto para subverter o costume, através de sua própria festa literária, paralela e grátis: a Freeporto, Festa Literária do Recife.

O início ocorre hoje, 06 de novembro, às 20 horas, no Espaço Corpos Percussivos, – Rua da Moeda, 150, Recife Antigo -, com o debate “Receita de bolo-de-rolo – Como fazer uma festa literária?”. Estarão presentes na mesa além dos integrantes do Urros Masculinos, a poeta Cida Pedrosa e o escritor Marcelino Freire.

“As pessoas fazem festa literária em que o público fica apenas olhando. O nosso evento é festa mesmo, com interação e ironia”, explica Arthur Rogério em entrevista ao Jornal do Commércio. Ao lado de Wellington de Melo e Bruno Piffardini, ele compõe o Urros Masculinos.

Além dos infalíveis shows e djs, uma festa literária que se preze não poderia deixar de contar com o lançamento de livros. Na Freeporto, eles serão literalmente arremessados, numa competição para ver quem joga mais longe seu mais novo título. “Eu não tinha dinheiro para publicar o meu primeiro livro de poemas, então decidi lançá-lo”, disse Rogério. “Um favorito ao melhor lançamento de 2009 é Rasif (Record) [leia um trecho], de Marcelino Freire, porque tem capa dura”, apostou Melo.

O evento segue até domingo, 08 de novembro, com off-sinas, como “Inspiração – o raio que o parta”, ministrada por Raimundo Carrero, e embates, como o enfrentado por Jomard Muniz de Britto – poeta, cineasta e professor – com uma plateia anônima, disfarçada por máscaras de raposa. O homenageado da Freeporto é o poeta acreano J. G. Araújo Jorge.

>Confira aqui depoimentos de autores e a programação completa da Freeporto 2009.


Uma antologia em busca do presente

Matéria Publicada no Jornal do Commercio, 01 de nov. de 2009.

Foto de Alexandre Belém/JC Imagem

Por Luís Fernando Moura

Urros Masculinos lança Tudo aqui fora escrito, tudo fora escrito ali, coletânea de poetas e contistas que não revolucionaram a história

As antologias normalmente retomam aquelas obras que, de antemão, legitimamos: constituem Histórias de H maiúsculo. São coleções de um tempo cartografado, de uma geografia imaginária, de um autor em busca da canonização em papel. O grupo literário Urros Masculinos se mete a propor uma outra ética e catalogar o presente. Na antologia Tudo aqui fora escrito, tudo fora escrito ali, o coletivo recorta a obra de escritores mais ou menos novatos: vieram à tona das publicações nos últimos dez anos. Fechando a década em que os marcadores zeraram, a compilação repercute uma nova lógica de espaço-tempo, em que a vivência da nostalgia e as previsões do futuro se confundem. “Normalmente a Academia diz que você precisa dar um tempo antes de identificar o que de bom ou de ruim foi feito. A gente fala muito do que se produziu na Geração 65, nos anos 80. Mas e o que foi publicado na última década?”, questiona Wellington de Melo, um dos organizadores.

Wellington é também um dos integrantes da compilação, que agrupa poesias e contos de 10 escritores. Junto a ele estão os poetas Adélia Coelho, Amanda Moraes, Artur Rogério, Helder Herik, além dos ficcionistas Artur Lins, Bruno Piffardini, Cristhiano Aguiar, Fernando Farias e Jean Santos. A antologia faz reverberar um mosaico deste conjunto de autores (de diversas idades), em busca de uma marca geracional para o nosso presente literário. “Alguns dos escritores dificilmente teriam apoio público para publicar de outra forma. Conseguimos aprovar o projeto no Conselho Municipal de Cultura e o livro calhou de ficar pronto às vésperas da Free Porto, onde vamos lançá-lo”, diz Wellington. O evento ocorre em paralelo à Fliporto, entre os dias 6 e 8.

Nem todos os participantes são pernambucanos. Wellington lembra o caso do baiano Cristhiano Aguiar e do paulista Bruno Piffardini. “Eles não nasceram aqui, mas moram em Pernambuco e seus trabalhos dialogam com o que acontece por aqui”. Cristhiano, autor do livro de contos Ao lado do muro, além de ser um dos editores da revista Crispim, divide as páginas com escritores nunca antes publicados, descobertos na sorte dos blogs rede afora. Amanda Moraes, por exemplo, tem apenas 20 anos – e uma poesia com a densidade de 50 anos de adolescência. Seu verso cambaleia entre a dominação e a emancipação: diz que “paradoxalmente, vou-me construindo, como se eu carregasse em mim peso e leveza, um pouco de patrão e de negrinho”. Helder Erick, natural de Garanhuns, também debutou na internet. “Conheci Erick através do seu blog, mas só vamos nos conhecer pessoalmente durante a Free Porto”, conta Wellington.

A despeito dos enfeites do bom gosto, a publicação sai do forno em festa no sábado (7), às 22h, no Francis Drinks (Av. Alfredo Lisboa, 33, Bairro do Recife). Uma mesa de discussão, antes da bombação com DJs, deve reunir Delmo Montenegro e Johnny Martins, autores dos prefácios do livro, que jogam conversa fora sob a mediação da drag queen Gera Cyber. Tudo nos trinques de um grupo que ensaia um reordenamento da nossa lógica de recepção. “O Urros busca experimentações na maneira de fazer a literatura circular. A gente sempre pensa que a literatura tem que ser feita em mesas, em livrarias, em um lugar esterilizado. Quando a gente reduz a literatura a estes espaços, termina tolhendo sua liberdade”, diz Wellington. Entre as investidas, está o literal lançamento de livros que acontece na Free Porto. “Escritores jogando livros na rua pode ser uma imagem muito forte, mas queremos subverter a ideia de coquetel”.

A estratégia tem contrapartida literária no emblemático Wellington de Melo, poema que o próprio assina (ler ao lado), com ares de prefácio. “O título é uma auto-ironia. Representa um pouco a angústia de uma geração que percebe que escritor famoso que vai viver de literatura no Brasil é quase uma ilusão. O poema é a negação das ilusões da fama”, diz Wellington. Afirma, no entanto, que o Urros não é um coletivo meramente anárquico. “A gente não tem uma postura de se opor ao sistema, de vender livro de porta em porta. Temos conhecimento de editoração, diagramação. Sabemos que podemos procurar editais de cultura, buscar patrocinadores. Não queremos mudar o mundo, mas se a gente conseguir que uma pessoa dê uma olhada para a esquerda ou para a direita e veja algo, a gente chama atenção para a literatura”.

Link original: http://jc3.uol.com.br/jornal/2009/11/01/not_353065.php


Festa mesmo é com a FreePorto

Matéria Publicada no Jornal do Commercio, 24 de out. de 2009.

Por Schneider Carpeggiani

Coletivo Urros Masculinos também realiza seu evento literário, de 6 a 8 de novembro, com a proposta de quebrar qualquer formalidade


“Eu não tinha dinheiro para publicar o meu primeiro livro de poemas, então decidi lançá-lo”, explica Artur Rogério, que forma com os escritores Bruno Piffardini e Wellington de Melo o clã Urros Masculinos. O que ele chama de lançar o livro é (literalmente) atirar o livro. “Eu pedi para Wellington selecionar 19 dos meus poemas. O título será Wellington mete o dedo. Inclusive vai haver alguém para medir a distância que o livro irá alcançar”, reitera. Cida Pedrosa, Samarone Lima, Gerusa Leal e Aldo Lins também estarão lançando.

Lançamento de livros é só uma das modalidades da primeira edição da Free Porto, festa literária (com tudo o que essa expressão abarca) que acontece entre os dias 6 e 8 de novembro no Bairro do Recife, organizada pelo Urros Masculinos. “As pessoas fazem festa literária em que o público fica apenas olhando. O nosso evento é festa mesmo, com interação e ironia”, avalia Rogério.

Nessa festa, escritores lançam seus livros para bem longe, ensinam a fazer caipirinhas (Pedro Américo), reclamam dessa tal de inspiração (Raimundo Carrero), fazem consultas astrológicas (Gerusa Leal) e podem ser mediados pelo top performer Gera-Cyber.

A Free Porto foi montada para desmontar o tom formal que costuma cercar os eventos literários, a começar pelo nome, referência direta à Fliporto. “Não temos nada contra a Free Porto, achamos engraçada a iniciativa do Urros Masculinos. Só temos de apoiar quem incentiva a literatura”, comentou o organizador da Fliporto, Antonio Campos.

O Espaço Corpos Percussivos, na Rua da Moeda, será o QG dos principais debates, que contará com convidados como Ivana Arruda Leite, Marcelino Freire, Paulo Scott e o enfant terrible Santiago Nazarian, que fez um conto inédito para o festival – Você é meu Cristo Redentor. “Todos os convidados irão receber cachê, porque defendemos a ideia de que todo escritor merece receber pelo seu trabalho. Como não temos recursos, será um cachê simbólico, entre R$ 50 e R$ 100, dependendo da atividade do autor na Free Porto”, explica Artur. A primeira edição da festa foi orçada em R$ 15 mil. “Fizemos cotas de patrocínio e o leilão de manuscritos para reunir dinheiro para a festa”.

MAIS LANÇAMENTOS Durante a Fliporto, há quem lance livro para bem longe e quem o lance no sentido tradicional do termo. É o caso da pouco tradicional escritora Lucila Nogueira, que lança (no sentido de autografar) seu primeiro inédito de poemas em cinco anos, Casta maladiva. “São poemas quase emo”, explica Lucila. A obra conta com versos como: “eu estando em Recife/ aprendi a ser virgem/ a sustentar sozinha/ meu corpo hieroglífico/ prazer físico e onírico/ de casta maladiva/ doze anos contido/ numa caixa de vidro/ doze anos perdidos/ o trauma de uma vida/ os dois na mesma casa/ como irmão e irmã/ ó minha terra intacta/ água de maré alta/ que unicórnio sagrado/ procura o teu regaço”.

Outro lançamento é a antologia Versão zero, reunindo 10 escritores inéditos e/ou que começaram a publicar nesta década. O livro traz poemas e contos de Adélia Coelho, Amanda Moraes, Artur Rogério, Helder Herik, Wellington de Melo, Artur Lins, Bruno Piffardini, Cristhiano Aguiar, Fernando Farias e Jean Santos.


Bom humor tempera festa literária

Matéria Publicada no Diario de Pernambuco, 24 de out. de 2009.

Por Thiago Correa

Grupo Urros Masculinos reúne escritores no Recife, no início de novembro, com a proposta de se divertirem na Freeporto

No verão, nem tudo combina com praia. Para o grupo Urros Masculinos, um exemplo de descompasso são as festas literárias promovidas no país.


Bruno Piffardini, Wellington de Melo e Artur Rogério, trio que forma o Urros Masculinos, prometem programação inusitada. Foto: Felipe Ferreira/Divulgação

Por isso, no mesmo fim de semana em que ocorre a Fliporto, em Porto de Galinhas, eles promovem a primeira edição da Freeporto – Festa Literária do Recife. Ainda que faça muito sol entre os dias 6 e 8 de novembro, eles e alguns outros escritores vão ocupar parte do Recife Antigo (Rua da Moeda) para reforçar a ideia de festa no circuito das letras, por meio de uma programação inusitada.

“O que é uma festa literária? Você vai lá para assistir a uma palestra, de vez em quando tem um recital e só. O que a gente quer é trazer de volta o conceito de festa para a festa”, explicou Bruno Piffardini, durante coletiva de imprensa ontem. “Ninguém vai para uma festa ficar sentado, conversando. Por que tem que ser assim?”, questiona Wellington de Melo. “Queremos fazer um fim de semana divertido”, completa Artur Rogério. Juntos, eles formam a trupe Urros Masculinos.

“O que é uma festa literária? Você vai lá para assistir a uma palestra, de vez em quando tem um recital e só. O que a gente quer é trazer de volta o conceito de festa para a festa”, explicou Bruno Piffardini, durante coletiva de imprensa ontem. “Ninguém vai para uma festa ficar sentado, conversando. Por que tem que ser assim?”, questiona Wellington de Melo. “Queremos fazer um fim de semana divertido”, completa Artur Rogério. Juntos, eles formam a trupe Urros Masculinos

As brincadeiras seguem com o recital Pula! Pula! Pula!, que reúne nove escritores na sacada do Espaço Corpos Percussivos, na Rua da Moeda; uma procissão em reverência ao homenageado da festa, o poeta J. G. de Araújo Jorge; o embate de Jomard Muniz de Britto com uma plateia anônima, disfarçada por máscaras de raposa; e ainda a competição Lançamentos de livros – Rumo ao Rio 2016, onde os 15 autores inscritos devem arremessar suas obras o mais longe possível. “Um favorito ao melhor lançamento de 2009 é Rasif, de Marcelino Freire, porque tem capa dura”, apostou Melo.

A Freeporto também terá seu aspecto lúdico, promovendo uma dezena de oficinas. Ou melhor, off-sinas, onde Pedro Américo de Farias vai ensinar a amarrar cadarço em pé, Ariano Suassuna cover tentará mostrar como cantar o frevo Madeira do Rosarinho e a socialite Henriqueta Weissmüller dirá como transformar um poeta marginal em membro da Academia Pernambucana de Letras.

De literatura mesmo, apenas uma mesa com o escritor Santiago Nazarian, que estará lançando o conto Você é meu Cristo Redentor e vai falar sobre o seu processo criativo. “Está na cara que a gente não quer saber só de literatura, escritor faz outras coisas. A programação é toda com escritores, então a literatura vai estar aqui, em carne e osso”, defendeu Artur Rogério.

Mas como o papo já está ficando careta, vale ressaltar que o evento terá shows, exposições fotográficas, intervenções urbanas, performances, exibição de filmes, apresentações teatrais e, claro, uma festa. A balada, chamada Chá dançante da ABL, marca o lançamento da antologia de novos autores pernambucanos Tudo aqui fora escrito, tudo fora escrito ali.


FreePorto “anarquiza” a cena literária

Matéria publicada na Folha de Pernambuco, 24 de out. de 2009.

Por Mônica Melo

O ano de 2009 reservou mesmo aos pernambucanos apreciadores das letras encontros movimentados. Prova disso foi a Bienal do Livro e será a Fliporto, programada para o próximo mês. Até quem curte literatura e não perde uma piada tem garantido um irreverente evento: a 1ª FreePorto, que irá movimentar a Rua da Moeda, no Bairro do Recife, entre os dias 6 e 8 de novembro. O grupo Urros Masculinos, idealizador da festa, elegeu o poeta J. G. de Araújo Jorge como homenageado.

Na coletiva, a divulgação do nome homenageado: o poeta J. G. de Araújo Jorge

Com a proposta de estimular a reflexão em torno  do conceito de festa literária, o grupo programou uma série de atividades que fogem ao formato convencional de encontros no setor. No dia da abertura, por exemplo, será realizado o recital “Pula! Pula! Pula!”, em que escritores como Cristian Bouthémy (França), Lucila Nogueira (RJ) e Paulo Scott (RS) irão declamar da sacada do Espaço Corpos Percussivos, ao som de um violoncelista.

Já o dia 7 foi destinado às off-sinas, a exemplo da intitulada “Inspiração – o raio que o parta”, a ser ministrada pelo escritor Raimundo Carrero, para o qual inspiração não existe. Sem contar com a off-sina do escritor Valmir Jordão, “Geração 51 – como se faz uma legítima caipirinha”. Está programada ainda a encabeçada por Marcelino Freire: “Quem ama educa: como cuidar bem do seu pinguim de geladeira”. No mesmo dia, haverá lançamento de livros. Literalmente! Escritores irão praticar arremesso de suas obras, com direito à premiação.

O “Toca da raposa” é o nome dado a uma espécie de jogo da verdade com o escritor Jomard Muniz de Britto. No dia do encerramento, acontecerá a FreeCareta, uma procissão poética em louvor ao homenageado do evento. “Os encontros convencionais parecem alimentar uma folgueira de vaidade. Para se diferenciar do circuito de palestras e homenagens, traremos o conceito literal de festa”, comentou Bruno Piffardini, membro do Urros.

Mas o evento também guarda em seu bojo atividades relativamente  tradicionais, como a “mesa” protagonizada pelo escritor paulista Santiago Nazarian. “A ideia é se afastar do mito que se tornou Nazarian e se aproximar da literatura produzida por ele”, explica Artur Rogério, do Urros. Além de apresentações literárias feitas por duplas de escritores.

Link original: http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-programa/533551?task=view


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