Arquivo da categoria: Silvana Menezes

Silvana Menezes

Que negócio é esse de ser escritor? E que negócio é esse de escritor querer mandar na literatura, ficar falando, como um importante, que é responsável pela mítica geração de 87? Quem manda na literatura não é escritor. Ela nunca dependeu dele. Quem acompanha a literatura é a poesia e a poesia brilha por todos os lados, cresce e respira melhor sem a presença desse paparazzi. Mas há escritores a torto e a direito, de óculos escuros e cegos. Porque existe algo que faz parte das nossas invenções malucas, dessas que levamos a sério e até criamos leis e festivais, festas para uma multidão mais maluca ainda referendar, homologar, cultuar um produto que é filho dos mais mesquinhos e inúteis desejos. Todos somos assim. E todos, em algum momento, sentimos a necessidade de publicar um livro. Que negócio é esse de publicar um livro? Certa vez, uma “sábia” escritora, me falou, assim, com Machado nos olhos, que um escritor só é escritor quando tem um livro publicado. Depois de descobrir tal sentença, tive que reorganizar a minha lista, dividi-la em duas, uma infinitamente mais comprida, a de não-escritores, e a menor, de escritores, os que sobraram da primeira. E, não espantado, observei que o meu nome, pela ordem alfabética, era o primeiro que aparecia na lista dos não escritores. Depois de um ou dois dias, rasguei, quase sem notar, essas duas listas pra dar mais espaço no arquivo, já que eu estava preocupado mesmo era com um livro que eu tava escrevendo, até hoje não publicado.

Continuo sendo, portanto, um não-escritor. E o que serei eu nesses últimos anos na cidade do Recife? Um não-escritor que escreve bem ou mal, um não-escritor que possui quase trinta obras inéditas entre contos, poemas, romances e textos para teatro? Eu sou um não-escritor filho da puta.

Mas há alguém bem pior. Ela, há muito mais tempo que eu, faz literatura entre outras coisas por aqui. Também é não-escritora, nunca publicou um livro sequer. Também é atriz, professora, produtora e dona de uma história que se mistura à história da literatura pernambucana contemporânea. Símbolo da não caretice, do carisma no feminino agridoce, da irreverência e tolerância. E ela, como eu, não nasceu aqui. Ela é paraibana. É com imenso orgulho que anuncio que a FREEPORTO 2010 também fará homenagem à mulher de literatura, à loba, à escritora Silvana Menezes.

 


%d blogueiros gostam disto: