Arquivo do mês: outubro 2010

Mudança de horário no Estúdio Móvel

Devido a uma confusão de comunicação com a produção (eita, que eco) do Estúdio Móvel, o programa sobre a FreePorto foi exibido na quarta-feira e não na quinta, como informamos.

Pedimos desculpas a todos e tentaremos disponibilizar via internet o programa para que as pessoas que não assistiram possam fazê-lo.

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FreePorto na TV Brasil

Esta semana, quinta-feira a partir das 17h, vai ao ar a entrevista dada pelo Urros Masculinos ao programa Estúdio Móvel, que passou por Pernambuco para fazer uma edição especial sobre o que anda rolando de cultura no estado.

Naturalmente o Urros vai falar sobre sua produção e sobre a FreePorto. No mesmo dia também participam Zé Cafofinho, Cláudio Assis e Marteus Naschtegaele. A programação da semana especial Pernambuco segue abaixo:

PROGRAMAÇÃO SEMANA 25 A 29 DE OUTUBRO
Segunda Feira:

Academia da Berlinda + DJ Dolores + Derlon

Terça Feira:

Academia da Berlinda + Orquestra Contemporânea de Olinda + Cine Clubismo + Cannibal

Quarta Feira:

Orquestra Contemporânea de Olinda + + Claudio Assis e Mateus Naschtegaele Leandro Mariz

Quinta Feira:

Zé Cafofinho + Claudio Assis e Marteus Naschtegaele +Urros Masculinos

Sexta Feira:

Zé Cafofinho + Orquestra Contemporânea de Olinda + Academia da Berlinda

Lançamento da antologia do centenário de M. Hernández


Carta de intenções do Domador de Abismo

CARTA DE INTENÇÕES:

DISTRIBUIÇÃO DE RENDA E LIBERDADE INDIVIDUAL

Lara, Domador de Abismo da província do Alto e Baixo Gume.


Realidade e ficção são uma só na FreePorto

Campanha para arrecadar fundos para a festa envolve escritores

Este ano a FreePorto – Festa Literária do Recife, que acontece entre 3 e 5 de dezembro, é um livro vivo. O cenário: a Nova Bulgária, república fundada no que se conhecia como Recife Antigo. As personagens: todos os que participarem da festa, escritores, convidados e leitores. O grupo literário Urros Masculinos, formado pelos escritores Artur Rogério, Bruno Piffardini e Wellington de Melo, criou uma narrativa que será o pano de fundo da festa. A proposta do grupo é que a festa vá além das mesas de conversas. “Transformar a festa toda em um livro é uma maneira de transformar a ficção em realidade e vice-versa”, reflete Wellington de Melo. Como a proposta inicial da FreePorto foi rever o conceito de festa literária, a versão 2010 da festa extrapola os limites entre realidade e ficção.

Após criar a Nova Bulgária, o Urros Masculinos a dividiu em um Distrito Federal, que corresponde às ruas da Moeda e Tomazina, onde acontece a festa, mais 13 províncias espalhadas pelo Bairro do Recife. Detalhe: apenas escritores poderiam ser ‘donatários’ e receber títulos honoríficos, muitos deles bastante esdrúxulos como “Jacutinga-mor” ou “Alto Búfalo Aquático”. Para ajudar  na realização da festa, os escritores que topassem a brincadeira deveriam fazer uma  doação a partir de R$ 20,00. “Muitos deram mais, mas isso é o que menos importa. Foi incrível ver as personagens povoando a Nova Bulgária”, esclareceu Bruno Piffardini.

ENVOLVIMENTO – Uma semana após lançar a campanha de povoamento  da Nova Bulgária, os organizadores comemoram, senão um sucesso financeiro, um grande envolvimento dos escritores em torno da ideia do ‘livro vivo’. Vários escritores já aderiram ao movimento, entre eles Ronaldo Correia de Brito, Sidney Rocha, Cida Pedrosa e Lucila Nogueira. Cada um deles teve que escrever uma ‘carta de intenções’, justificando por que querem ser governadores das províncias. O resultado: pura literatura. “Ao ver essas cartas vemos o livro vivo nascendo”, reflete Artur Rogério. Sidney Rocha, decretado Antipapa da província do Biscoito Fino, escreveu uma verdadeira carta de viagem: “Senhor, posto que o Capitão-mor desta Vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a ExcelsoTriunvirato a notícia do loteamento desta Vossa terra nova, a bendita terra da Nova Bulgária, que se agora nossa navegação encontrou tão pessimamente avizinhada pelos bárbaros dos Caetés e dos ingleses e suas tumbas na sacrossanta freguesia de Santamaro, não deixarei de também dar disso minha conta a Excelso Triunvirato” . Já Lucila Nogueira deixa claras suas intenções como Mestra-Abadessa da província de Pulsobrilho: “Com essa governadoria irei ajudar a cuidar corajosa e estrategicamente dos rituais líricos da comunidade, defendendo-a da mediocridade artística e combatendo e punindo a praga dos falsos escritores,no caso os praticantes do exercício ilegal da literatura.”

MAIS INFORMAÇÕES

www.freeporto.wordress.com

Email: novabulgaria@gmail.com

Mapa da Nova Bulgária disponvível em:

https://freeporto.wordpress.com/2010/10/07/mapa-da-nova-bulgaria/

 


Silvana Menezes

Que negócio é esse de ser escritor? E que negócio é esse de escritor querer mandar na literatura, ficar falando, como um importante, que é responsável pela mítica geração de 87? Quem manda na literatura não é escritor. Ela nunca dependeu dele. Quem acompanha a literatura é a poesia e a poesia brilha por todos os lados, cresce e respira melhor sem a presença desse paparazzi. Mas há escritores a torto e a direito, de óculos escuros e cegos. Porque existe algo que faz parte das nossas invenções malucas, dessas que levamos a sério e até criamos leis e festivais, festas para uma multidão mais maluca ainda referendar, homologar, cultuar um produto que é filho dos mais mesquinhos e inúteis desejos. Todos somos assim. E todos, em algum momento, sentimos a necessidade de publicar um livro. Que negócio é esse de publicar um livro? Certa vez, uma “sábia” escritora, me falou, assim, com Machado nos olhos, que um escritor só é escritor quando tem um livro publicado. Depois de descobrir tal sentença, tive que reorganizar a minha lista, dividi-la em duas, uma infinitamente mais comprida, a de não-escritores, e a menor, de escritores, os que sobraram da primeira. E, não espantado, observei que o meu nome, pela ordem alfabética, era o primeiro que aparecia na lista dos não escritores. Depois de um ou dois dias, rasguei, quase sem notar, essas duas listas pra dar mais espaço no arquivo, já que eu estava preocupado mesmo era com um livro que eu tava escrevendo, até hoje não publicado.

Continuo sendo, portanto, um não-escritor. E o que serei eu nesses últimos anos na cidade do Recife? Um não-escritor que escreve bem ou mal, um não-escritor que possui quase trinta obras inéditas entre contos, poemas, romances e textos para teatro? Eu sou um não-escritor filho da puta.

Mas há alguém bem pior. Ela, há muito mais tempo que eu, faz literatura entre outras coisas por aqui. Também é não-escritora, nunca publicou um livro sequer. Também é atriz, professora, produtora e dona de uma história que se mistura à história da literatura pernambucana contemporânea. Símbolo da não caretice, do carisma no feminino agridoce, da irreverência e tolerância. E ela, como eu, não nasceu aqui. Ela é paraibana. É com imenso orgulho que anuncio que a FREEPORTO 2010 também fará homenagem à mulher de literatura, à loba, à escritora Silvana Menezes.

 


Carta de intenções do Vice-Rei

Caros,

Depois de percorrer durante 41 anos esse porto do Recife, cidade rebatizada por vocês como Nova Bulgária, de olhar um cais enferrujado, com navios que me levam aos portos do mundo e a lugar nenhum, escolho proteger-me da maresia corrosiva do tempo sob o título de Vice-rei da Zona do Aço, se tanto me outorgarem.

Ronaldo Correia de Brito, Vice-Rei da Zona do Aço.

 


Prorrogadas as inscrições para o prêmio Pierre Menard

Prorrogadas até o dia 18 de novembro as inscrições para o I Prêmio Nacional Pierre Menard de Cover Literário.

Os interessados devem enviar seu cover seguindo as regras do edital, que pode ser lido aqui.


Carta de Intenções do Grande Mestre da Pucarina

Ao Excelso Triunvirato do Protetorado Soberano da Nova Bulgária

Ajoelho-me aos pés de Vossas Santidades para dizer que:

Com as armas e os brasões assinalados, por mares nunca dantes navegados, vindos da Taprobana, em perigos e guerras esforçados, adentramos bem devagar a Nova Bulgária no dia de Vossa Senhora Aparecida.

Penetramos neste admirável mundo novo através do eixo onde as águas dos rios Capibaribe e Beberibe se unem para criar o oceano Atlântico, ao lado do enorme pênis do Brennand, chegamos e ocupamos a província de Pucarina.

Abraçados às musas inspiradoras e outras putas sifilíticas, afincamos aqui nossa bandeira rubro-negra onde se pode ler o nosso lema “faz o que tu Não queres, há de ser tudo da lei”, e mijamos em torno das divisas com as províncias vizinhas para mostrar quem é o macho aqui. Depois Frei Henrique, em voz entoada, celebrou o primeiro toque de candomblé.

Nossas primeiras leis determinam a liberdade. Assim todos os cidadãos da Pucarina são livres e podem fazer o que desejar dentro de suas jaulas. Institui-se a novilíngua e o duplipensar.

Que aqui nesta província sejam todos os dias sempre um dia de domingo de carnaval.

Que as mulheres que eu amo andem nuas pelo meu país sem esconder as vergonhas.

Que haja sempre sol e lua sobre o observatório Malakoff.

Decretamos o racionamento do papel higiênico e das camisinhas de vênus que passarão a ser usados sempre três vezes antes de ser jogados no lixo.

Nesta terra tudo dá. E tá todo mundo dando muito.

Beijo as mãos de Vossas Altezas.

Deste Porto Seguro, da Província da Pucarina, hoje, terça-feira, 12 de outubro do anno zero.

Fernando Farias

Grande Mestre da Pucarina


Mapa da Nova Bulgária


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