Matéria Publicada no Jornal do Commercio, 24 de out. de 2009.
Por Schneider Carpeggiani
Coletivo Urros Masculinos também realiza seu evento literário, de 6 a 8 de novembro, com a proposta de quebrar qualquer formalidade
“Eu não tinha dinheiro para publicar o meu primeiro livro de poemas, então decidi lançá-lo”, explica Artur Rogério, que forma com os escritores Bruno Piffardini e Wellington de Melo o clã Urros Masculinos. O que ele chama de lançar o livro é (literalmente) atirar o livro. “Eu pedi para Wellington selecionar 19 dos meus poemas. O título será Wellington mete o dedo. Inclusive vai haver alguém para medir a distância que o livro irá alcançar”, reitera. Cida Pedrosa, Samarone Lima, Gerusa Leal e Aldo Lins também estarão lançando.
Lançamento de livros é só uma das modalidades da primeira edição da Free Porto, festa literária (com tudo o que essa expressão abarca) que acontece entre os dias 6 e 8 de novembro no Bairro do Recife, organizada pelo Urros Masculinos. “As pessoas fazem festa literária em que o público fica apenas olhando. O nosso evento é festa mesmo, com interação e ironia”, avalia Rogério.
Nessa festa, escritores lançam seus livros para bem longe, ensinam a fazer caipirinhas (Pedro Américo), reclamam dessa tal de inspiração (Raimundo Carrero), fazem consultas astrológicas (Gerusa Leal) e podem ser mediados pelo top performer Gera-Cyber.
A Free Porto foi montada para desmontar o tom formal que costuma cercar os eventos literários, a começar pelo nome, referência direta à Fliporto. “Não temos nada contra a Free Porto, achamos engraçada a iniciativa do Urros Masculinos. Só temos de apoiar quem incentiva a literatura”, comentou o organizador da Fliporto, Antonio Campos.
O Espaço Corpos Percussivos, na Rua da Moeda, será o QG dos principais debates, que contará com convidados como Ivana Arruda Leite, Marcelino Freire, Paulo Scott e o enfant terrible Santiago Nazarian, que fez um conto inédito para o festival – Você é meu Cristo Redentor. “Todos os convidados irão receber cachê, porque defendemos a ideia de que todo escritor merece receber pelo seu trabalho. Como não temos recursos, será um cachê simbólico, entre R$ 50 e R$ 100, dependendo da atividade do autor na Free Porto”, explica Artur. A primeira edição da festa foi orçada em R$ 15 mil. “Fizemos cotas de patrocínio e o leilão de manuscritos para reunir dinheiro para a festa”.
MAIS LANÇAMENTOS Durante a Fliporto, há quem lance livro para bem longe e quem o lance no sentido tradicional do termo. É o caso da pouco tradicional escritora Lucila Nogueira, que lança (no sentido de autografar) seu primeiro inédito de poemas em cinco anos, Casta maladiva. “São poemas quase emo”, explica Lucila. A obra conta com versos como: “eu estando em Recife/ aprendi a ser virgem/ a sustentar sozinha/ meu corpo hieroglífico/ prazer físico e onírico/ de casta maladiva/ doze anos contido/ numa caixa de vidro/ doze anos perdidos/ o trauma de uma vida/ os dois na mesma casa/ como irmão e irmã/ ó minha terra intacta/ água de maré alta/ que unicórnio sagrado/ procura o teu regaço”.
Outro lançamento é a antologia Versão zero, reunindo 10 escritores inéditos e/ou que começaram a publicar nesta década. O livro traz poemas e contos de Adélia Coelho, Amanda Moraes, Artur Rogério, Helder Herik, Wellington de Melo, Artur Lins, Bruno Piffardini, Cristhiano Aguiar, Fernando Farias e Jean Santos.




















vamo simbora!!!
Schneider confundiu os portos quaudo inicia em MAIS LANÇAMENTOS. Não seria “Durante a FreePorto…” ?
Parabéns pela iniciativa. O Recife antigo precisa de um evento assim.
Olá, Érico. Acho que ele se confundiu, sim. Pois tanto a antologia “Tudo aqui fora escrito, tudo fora escrito ali” (não se chama Versão Zero) como a Casta Maladiva de Lucila serão lançados exclusivamente na FreePorto.
Esperamos você por lá!
Sim. Certamente estarei lá, Wellington!
Lendo a programação com mais atenção, louvo ainda mais a iniciativa e tenho como grata surpresa o lançamento do livro “Alma de Vidro” do poeta paraibano Aldo Lins. Bardo raro, beduíno, hoje dono das vias estreitas e sombrias do Recife, ao lado dos infelizmente já falecidos Erickson Luna e Chico Espinhara, representa talvez o que haja de mais ácido nas poéticas urbanas da Manguecéia. Este verdadeiros “Poetas Malditos” não escolheram a Poesia. Foram por Ela escolhidos, batizados, vergastados. Sempre “marginais”, mas muito mais porque à margem do chamado Mercado Editorial e das reuniões de chá das Academias, somente depois de maduros e curtidos pela vida conseguiram lançar seus livros. Louvo a publicação do “Alma de Vidro” deste poeta-transeunte na FreePorto. A carga simbólica deste ato significa muito para a literatura contemporânea. Viva a poesia viva, visceral e instintiva de Aldo Lins. Meus sinceros parabéns a vocês do “Urros Masculinos”. Longa vida a FreePorto e ao poeta Aldo Lins!
[...] é nota zero de comportamento. O avesso das festas pomposas e bem-comportadas que se vê por aí. Nessa matéria do Carpeggiani dá pra ter uma idéia do clima irreverente e bem humorado do pessoal. Artur [...]