FreePorto celebra literatura com muita irreverência

15 11 2009

Publicada no Diario de Pernambuco, dia 09 de novembro de 2009.

Por Nina Wicks de Almeida

Evento no bairro do Recife propôs liberdade total aos escritores e leitores, com oficinas nada convencionais e shows

Revelado no fenônemo dos blogs, escritor Santiago Nazariam leu conto inédito e revelou que se dedica a um novo livro. Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press

Enquanto a quinta edição da FliPorto acontecia no balneário de Porto de Galinhas, as ruas esburacadas do Recife Antigo abrigaram, durante o fim de semana, o que se pode chamar de acontecimento genérico. Em sua primeira edição degustativa, a FreePorto quis celebrar a liberdade. Sem muita burocracia, e com bom humor, escritores e leitores deveriam, durante os três dias de festa, trocar idéias e vivenciar a literatura como bem quisessem, com direito a exaltações poéticas manifestadas a qualquer momento. O local escolhido foi o espaço Corpos Percussivos, no primeiro andar de um prédio da rua da Moeda. Intimista, a sala com sofá vermelho e cadeiras espalhadas contava com um bar no térreo, o que facilitava o clima de festa. “Festa é assim mesmo, informal, onde as pessoas discutem literatura como se estivessem nos bastidores”, celebrava Wellington de Melo, integrante do coletivo Urros Masculinos, idealizador do projeto. No lugar da galinha, o mascote era uma raposa, presente em quase todos os acontecimentos. No lugar de João Cabral de Melo Neto, as homenagens eram irecionadas ao poeta acreano J. G. de Araújo Jorge. Na noite de abertura, o primeiro sofá literário discutia a Receita de Bolo de Rolo: Como Fazer uma Festa Literária, com Marcelino Freire, Urros Masculinos e Cida Pedrosa, com mediação de Cristiano Ramos. E como fazer? Segundo Marcelino, “fazendo!” Para os participantes, entre uma cerveja e outra, é de undamental importância a existência dos movimentos conservadores para que se entenda um movimento anárquico como o que nascia ali. Revelado no fenônemo dos blogs, escritor Santiago Nazariam leu conto inédito e revelou que se dedica a um novo livro.
Enquanto eram servidas fatias de bolo-de-rolo para os presentes, o poeta Miró interrompia a cerimônia para declamar obras suas, incentivado pela organização e pelo público, enquanto Jomard Muniz de Britto jogava apitos para a plateia. “O melhor é que aqui não vemos só as caras repetidas de todo evento literário”, soltou o mediador. A noite seguiu com a inauguração da Pedra Fundamental da Nova Literatura Pernambucana, uma pedra de gelo colocada no meio da rua, para ser “eterna enquanto dure”, recitais de obras da sacada do espaço e da apresentação no meio da rua das bandas Semente de Vulcão e Johnny Hooker e Candeias Rock City. Como todo bom evento literário, a FreePorto também teve suas oficinas, como a Geração 51, onde o poeta Valmir Jordão ensinou como fazer uma caipirinha e Pedro Américo de Farias ensinando Estilos de Época na Amarração de Cadarço. Na tarde do sábado, o escritor Santiago Nazarian, revelado no fenômeno dos blogs, sentou com Cristhiano Aguiar para ler um conto inédito e responder perguntas. Ele agora se dedica a um livro de contos “porque é bom para o escritor renovar”, afirmava Nazarian, que já publicou cinco romances. Descendo as escadas do espaço, um tapete vermelho de cinco metros era o corredor para o lançamento de livros, neste caso, literalmente. Escritores como Lucila Nogueira, Marcelino Freire, Biagio e Sidney Rocha arremessavam seus livros o mais longe que conseguiam.

Link original: http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/11/09/viver2_0.asp





Anjo Gabriel encerra a Freeporto 2009

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FreeCareta – Procissão poética

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Curto-circuito 2 e Curto-circuito 0

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Chá dançante da ABL

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Toca da Raposa – Jomar Muniz de Britto

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Foi bom o filminho e o teatro!

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Curto-circuito 1

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Do Portal Literal

9 11 2009

Por Felipe Pontes (RJ)

Um pouco de auto-crítica no Portal Literal – faltou mencionar no post sobre a Fliporto 2009 os preços cobrados pelos ingressos das palestras da festa: cada palestra (R$ 5,00); diária (R$ 15,00) e passaporte completo (R$ 50,00, que contempla toda a programação literária do evento).

O destaque, agora, não é uma tentativa leviana de criticar a cobrança de entradas, prática corriqueira na maioria das feiras, festas e bienais pelo Brasil afora. A questão é que, em Recife, o grupo literário Urros Masculinos oportunamente aproveitou o ensejo da Fliporto para subverter o costume, através de sua própria festa literária, paralela e grátis: a Freeporto, Festa Literária do Recife.

O início ocorre hoje, 06 de novembro, às 20 horas, no Espaço Corpos Percussivos, – Rua da Moeda, 150, Recife Antigo -, com o debate “Receita de bolo-de-rolo – Como fazer uma festa literária?”. Estarão presentes na mesa além dos integrantes do Urros Masculinos, a poeta Cida Pedrosa e o escritor Marcelino Freire.

“As pessoas fazem festa literária em que o público fica apenas olhando. O nosso evento é festa mesmo, com interação e ironia”, explica Arthur Rogério em entrevista ao Jornal do Commércio. Ao lado de Wellington de Melo e Bruno Piffardini, ele compõe o Urros Masculinos.

Além dos infalíveis shows e djs, uma festa literária que se preze não poderia deixar de contar com o lançamento de livros. Na Freeporto, eles serão literalmente arremessados, numa competição para ver quem joga mais longe seu mais novo título. “Eu não tinha dinheiro para publicar o meu primeiro livro de poemas, então decidi lançá-lo”, disse Rogério. “Um favorito ao melhor lançamento de 2009 é Rasif (Record) [leia um trecho], de Marcelino Freire, porque tem capa dura”, apostou Melo.

O evento segue até domingo, 08 de novembro, com off-sinas, como “Inspiração – o raio que o parta”, ministrada por Raimundo Carrero, e embates, como o enfrentado por Jomard Muniz de Britto – poeta, cineasta e professor – com uma plateia anônima, disfarçada por máscaras de raposa. O homenageado da Freeporto é o poeta acreano J. G. Araújo Jorge.

>Confira aqui depoimentos de autores e a programação completa da Freeporto 2009.





Do blog de Santiago Nazarian

9 11 2009

Link original: http://santiagonazarian.blogspot.com/2009/11/raposas-tropicos-e-psicotropicos-ainda.html

Ainda busco meu lugar ao sol…

Sensacional a FREEporto, uma das festas literárias mais divertidas que já fui (só não coloco como “a mais” porque está pau a pau com a Jornada Literária de Passo Fundo). Foi realmente uma festa, na qual se sentia que a literatura estava por todos os cantos, nas ruas, nos bares, nos bate-papos, numa moçada muito inteligente, interessante, antenada e com grandes idéias.

Criada pelo grupo “Urros Masculinos”, dos jovens escritores do Recife – Artur Rogério, Bruno Piffardini e Wellington de Melo – a idéia era fazer uma festa literária diferente, irreverente, fugindo do formato tradicional de debates sacais. Deu certo; foi um ótimo começo. E apesar da proposta despretenciosa, foi tudo muito bem organizado, profissional, com uma estrutura impressionante. A gente não só ficou num hotelzinho beeeeeeeeem gostoso ao lado da praia, como tinha toda uma equipe sempre cuidando do nosso transporte, das nossas carências… Eles ainda fecharam uma rua inteira para shows, lançamentos (literalmente) de livros e tiveram um público massivo em todo o evento. É para humilhar muito festival tradicional por aí.

A mesa de abertura, em meio a apitos, urros e milhos para as galinhas.

Minha mesa no sábado, apresentada pelo queridíssimo Cristhiano Aguiar.

Um bom exemplo da diferença aliada à consistência foi minha mesa. Apesar de, talvez, ter sido o evento mais tradicional em formato (um debate meu com Cristiano e perguntas do público), foi distribuído ao pessoal um conto inédito meu (“Você é Meu Cristo Redentor”); então mesmo que não conhecia meu trabalho tinha a oportunidade de sair de lá com algo. E foi ótimo ver vários e vários leitores que levaram meus livros para eu autografar.

A platéia malemomente.

Leitores joveníssimos.

Leitores experientes.

É a segunda vez que vou ao Recife (fui à Bienal de 2007) e fortaleceu minha impressão de capital cultural. Fora que sou sempre recebido como um príncipe. Vou voltar.

O mascote da festa era a raposa (que não era eu, ok?)

O monumento: um bloco de gelo.

Paulo Scott lê em praça pública o seu “Senhor Escuridão”: Ai-que-me-do!
Não adiantou nem a capa dura, Marcelino não lançou seu livro muito longe.
Encarnando na Ivana, em Olinda.

Scott e eu no tête-a-tête tropical.
Nadar nessa psicina de noite era como nadar em neon. Tirei a foto para provar que não era efeito de psicotrópicos, não.


A moçada bem que tentou me fazer sambar…

O efeito das capirinhas…
E a labuta. O do Marcelino é menor… porque ele acredita no micro-conto.